Entre os meses de abril e junho de 2025, foi realizada a segunda edição do curso remoto “Agroecologia: bases conceituais e metodológicas para a extensão rural”, promovido pela Universidade de Brasília (UnB), no âmbito do Projeto Extensão Rural e Agroecologia (ERA/UnB).

Dando continuidade à experiência bem-sucedida da primeira edição, o curso reafirmou seu compromisso com a qualificação crítica de extensionistas, estudantes, pesquisadoras(es) e profissionais da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), fortalecendo a agroecologia como base científica, política e metodológica da atuação nos territórios.


Agroecologia como ciência, prática e movimento

A segunda edição aprofundou o debate sobre os fundamentos históricos e epistemológicos da agroecologia, abordando:

  • A trajetória da extensão rural no Brasil e seus desafios contemporâneos
  • A consolidação da agroecologia como campo científico e político
  • As políticas públicas voltadas à agricultura familiar
  • A transição agroecológica e os sistemas agroalimentares sustentáveis

As aulas promoveram o diálogo entre teoria e prática, articulando referências acadêmicas, marcos normativos e experiências territoriais desenvolvidas em diferentes regiões do país.

A abertura contou novamente com a participação de representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Asbraer, da Faser e da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), reafirmando o caráter estratégico da formação para o fortalecimento da ATER pública e da agroecologia no Brasil.


Metodologias participativas e sistematização de experiências

Um dos eixos centrais da formação foi o aprofundamento das metodologias participativas, inspiradas em perspectivas críticas e dialógicas, com destaque para as contribuições de Paulo Freire.

Foram discutidas ferramentas de diagnóstico participativo, sistematização de experiências e instrumentos de fortalecimento da autonomia dos sujeitos do campo, com ênfase na valorização dos saberes tradicionais, da sociobiodiversidade e do protagonismo das mulheres e juventudes rurais.

A oficina de escrita técnica e científica estimulou a produção de registros qualificados das experiências extensionistas, ampliando a capacidade de comunicação e incidência das(os) participantes.


Território, mercados e políticas públicas

A programação da segunda edição também aprofundou o debate sobre território como categoria estratégica da agroecologia, integrando reflexões da geografia agrária e das experiências latino-americanas de desenvolvimento territorial.

Foram discutidas ainda:

  • Estratégias de comercialização e circuitos curtos
  • Relações campo–cidade
  • Compras públicas e mercados institucionais
  • Articulação entre políticas públicas e redes agroecológicas

O curso reforçou a importância da integração entre produção, organização social e acesso a mercados como elemento estruturante da transição agroecológica.


Produção coletiva de conhecimento

Para certificação, as(os) participantes puderam optar pela elaboração de um resumo expandido de experiência extensionista ou pela realização de atividade avaliativa sobre os conteúdos trabalhados.

A produção textual buscou valorizar práticas concretas desenvolvidas nos territórios, incentivando sua divulgação e circulação em espaços acadêmicos e institucionais.


Consolidação de uma rede de formação permanente

A segunda edição consolidou o curso como espaço permanente de formação e articulação nacional, ampliando redes entre universidades, instituições públicas de ATER, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Mais do que um ciclo formativo, a iniciativa reafirma o papel da universidade pública na construção de conhecimentos comprometidos com a justiça social, a soberania alimentar e o fortalecimento da agricultura familiar.

O encerramento da segunda edição representa um passo importante na consolidação de uma agenda contínua de formação em agroecologia, conectando ciência, política pública e ação territorial em todo o país.

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