
Lançado em 11 de junho de 2026, o livro “Resistência unindo campo e cidade em feiras e redes alimentares alternativas” reúne reflexões, experiências, metodologias e análises produzidas a partir de diferentes territórios brasileiros, evidenciando o papel estratégico das feiras da agricultura familiar e das redes alimentares alternativas na construção de sistemas alimentares mais justos, sustentáveis e democráticos.
Com 178 páginas, a publicação foi realizada pelo Projeto de Extensão Rural e Agroecologia (ERA) da Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural da UnB e apresenta contribuições de pesquisadoras(es), extensionistas, agricultoras(es), gestores públicos e organizações sociais comprometidas com o fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia e do desenvolvimento territorial.
As feiras da agricultura familiar desempenham um papel importante e têm se consolidado como um instrumento estratégico de comercialização direta e de fortalecimento dos circuitos curtos agroecológicos. Muito além de espaços de comercialização, elas se constituem como territórios vivos de encontro entre campo e cidade, de fortalecimento das identidades produtivas, de valorização dos saberes locais e de afirmação política das agricultoras e agricultores familiares que alimentam este país com alimentos saudáveis.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) reconhece nas feiras um instrumento fundamental para ampliar o acesso a mercados, dinamizar economias territoriais, fortalecer a reforma agrária e promover a soberania e a segurança alimentar e nutricional. Nesse contexto, são desenvolvidas iniciativas que integram ações voltadas à estruturação de mercados de proximidade, à qualificação do acesso das famílias agricultoras aos canais de comercialização e à promoção de ambientes territoriais favoráveis à produção sustentável.
A Extensão Rural desempenha uma função central nesse processo de incentivo e estímulo aos processos de formação, organização social e planejamento produtivo e comercial. É por meio dela que práticas agroecológicas são fortalecidas, que associações e cooperativas ampliam sua capacidade de gestão e que agricultores e agricultoras familiares, assentados da reforma agrária e comunidades quilombolas consolidam as feiras como espaços de articulação entre políticas públicas e resultados concretos gerados pelas redes de comercialização.
A obra demonstra como as feiras e os mercados alternativos constituem dispositivos sociotécnicos essenciais para a construção de sistemas alimentares sustentáveis, aproximando produção e consumo, promovendo relações de confiança e fortalecendo economias locais. As experiências sistematizadas evidenciam ainda como a integração entre pesquisa, extensão rural e participação social contribui para ampliar a qualificação dos mercados e fortalecer iniciativas agroecológicas em diferentes contextos regionais.
Mais do que um registro de experiências, o livro representa um instrumento de formação, reflexão e incidência política para equipes técnicas, instituições de ensino e pesquisa, movimentos sociais e gestores públicos comprometidos com o aprimoramento da extensão rural e das políticas de comercialização da agricultura familiar. Ao destacar o protagonismo das feiras e das redes alimentares alternativas, a publicação reafirma sua importância na promoção da alimentação saudável, da soberania alimentar, do desenvolvimento territorial e da transição agroecológica no Brasil.
