Entre os meses de agosto e outubro de 2025, foi realizado o curso “Questão Agrária e Agroecologia”, promovido pela Universidade de Brasília (UnB), no âmbito das ações formativas do Projeto Extensão Rural e Agroecologia (ERA/UnB).

A formação reuniu estudantes, extensionistas, pesquisadoras(es), docentes e integrantes de movimentos sociais interessados em aprofundar o debate sobre a questão agrária brasileira e suas relações estruturais com a agroecologia, a reforma agrária e os conflitos no campo.


Questão agrária: fundamentos históricos e contemporâneos

O curso teve como eixo central a compreensão crítica da formação histórica da estrutura fundiária brasileira, abordando:

  • A constituição do latifúndio e a concentração de terras
  • A modernização conservadora da agricultura
  • O avanço do agronegócio e seus impactos territoriais
  • Conflitos socioambientais no campo
  • Reforma agrária e políticas públicas

A programação articulou referenciais clássicos e contemporâneos do pensamento agrário brasileiro, promovendo uma leitura estruturante das desigualdades históricas que marcam o campo no Brasil.


Agroecologia como alternativa estrutural

Ao relacionar questão agrária e agroecologia, o curso destacou a agroecologia não apenas como modelo produtivo, mas como projeto político de transformação social.

Foram debatidos temas como:

  • Transição agroecológica
  • Território e soberania alimentar
  • Sociobiodiversidade
  • Papel da agricultura familiar, povos indígenas e comunidades tradicionais
  • Construção de mercados solidários e circuitos curtos

A formação enfatizou a agroecologia como estratégia de enfrentamento às desigualdades agrárias e às crises ambiental e climática.


Metodologia e diálogo entre teoria e prática

A metodologia combinou exposições teóricas, análise de conjuntura, estudo de textos de referência e debate coletivo. O curso buscou estimular a leitura crítica da realidade agrária contemporânea, conectando produção acadêmica, políticas públicas e experiências territoriais.

A proposta também valorizou o diálogo com movimentos sociais do campo e experiências concretas de organização produtiva e resistência territorial.


Formação crítica e produção reflexiva

Como parte do processo formativo, as(os) participantes foram incentivadas(os) a desenvolver reflexões escritas, relacionando os conteúdos debatidos com suas áreas de atuação e territórios de referência.

A proposta avaliativa priorizou a capacidade de análise crítica, a articulação entre teoria e prática e a compreensão da agroecologia como parte de um projeto de transformação estrutural da sociedade.


Universidade pública e compromisso social

O curso reafirma o papel da Universidade de Brasília como espaço de produção de conhecimento comprometido com a justiça social, a democratização do acesso à terra e o fortalecimento da agricultura familiar.

Ao articular questão agrária e agroecologia, a formação contribuiu para qualificar o debate público e fortalecer redes de atuação voltadas à construção de territórios mais justos, sustentáveis e socialmente inclusivos.

O encerramento do curso consolida mais uma etapa da agenda formativa do Projeto ERA/UnB, reforçando o compromisso com a formação crítica e com a transformação das realidades agrárias brasileiras.

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