Entre os dias 24 de outubro e 12 de dezembro de 2024, foi realizada a primeira edição do curso remoto “Agroecologia: bases conceituais e metodológicas para a extensão rural”, promovido pela Universidade de Brasília (UnB), no âmbito do Projeto Extensão Rural e Agroecologia (ERA/UnB).
A formação reuniu extensionistas, estudantes, pesquisadoras(es), docentes e profissionais da assistência técnica e extensão rural de diferentes regiões do Brasil, consolidando um espaço de atualização conceitual, metodológica e política sobre a agroecologia no país.
Bases científicas e metodológicas da agroecologia
A proposta do curso foi aprofundar o estudo dos conceitos e princípios da agroecologia, promovendo uma atualização crítica sobre:
- A trajetória histórica da extensão rural no Brasil
- A construção do campo científico da agroecologia
- Metodologias participativas críticas
- Sistematização de experiências extensionistas
- Território e sistemas agroalimentares
- Estratégias de comercialização e aproximação campo–cidade
Ao longo de oito encontros, foram articuladas exposições teóricas, reflexões metodológicas e relatos de experiências concretas desenvolvidas em diferentes territórios.
A aula de abertura contou com a participação de representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Asbraer, da Faser e da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), reafirmando a importância estratégica da formação para o fortalecimento das políticas públicas de ATER e da agroecologia.
Metodologias participativas e sistematização
Um dos eixos centrais da formação foi o debate sobre metodologias participativas e pesquisa colaborativa, inspiradas em referências como Paulo Freire, valorizando o protagonismo camponês, os saberes tradicionais e a construção coletiva do conhecimento.
As aulas também abordaram instrumentos de sistematização de experiências, como as Cadernetas Agroecológicas e outras ferramentas metodológicas voltadas ao fortalecimento das redes agroecológicas e da atuação extensionista.
A oficina de escrita acadêmica orientou as(os) participantes na produção de textos técnicos e científicos, incentivando a divulgação qualificada de experiências territoriais.
Avaliação e produção de conhecimentos
Para certificação, as(os) cursistas puderam optar entre:
- Responder a um questionário avaliativo sobre os conteúdos trabalhados; ou
- Elaborar um resumo expandido de experiência extensionista, com possibilidade de publicação em e-book, após avaliação editorial.
A proposta reforçou o compromisso do curso com a valorização das práticas de extensão rural e com a produção coletiva de conhecimento aplicado.
Território, mercados e articulação campo–cidade
A programação também destacou a importância do território como categoria central da agroecologia, dialogando com a geografia agrária e os debates latino-americanos sobre territorialidade.
A aula de encerramento, realizada em formato híbrido diretamente do Armazém do Campo (DF), abordou estratégias integradas de extensão rural e mercados, fortalecendo a aproximação entre quem produz e quem consome e reafirmando a relação campo–cidade como eixo estruturante da transição agroecológica.
Construção de uma comunidade de aprendizagem
A primeira edição do curso consolidou uma comunidade de aprendizagem comprometida com:
- A atualização crítica da extensão rural
- A integração de redes agroecológicas
- A valorização da sociobiodiversidade
- O fortalecimento da agricultura familiar
Mais do que um ciclo formativo, a iniciativa representou um marco na construção coletiva de bases conceituais e metodológicas para uma extensão rural orientada pelos princípios da agroecologia, da participação social e da transformação territorial.
O encerramento da primeira edição reafirma o papel da universidade pública como espaço de articulação entre ciência, políticas públicas e práticas sociais, impulsionando novas ações formativas e fortalecendo as redes de agroecologia em todo o país.
